Esther Final-6
Styling

EDITORIAL CIDADE LIQÜIDA

01/02/2017

“Fluidez” é a qualidade de líquidos e gases. (…) Os líquidos, diferentemente dos sólidos, não mantêm sua forma com facilidade. (…) Os fluidos se movem facilmente. Eles “fluem”, “escorrem”, “esvaem-se”, “respingam”, “transbordam”, “vazam”, “inundam” (…) Essas são razões para considerar “fluidez” ou “liquidez” como metáforas adequadas quando queremos captar a natureza da presente fase (…) na história da modernidade.
Tudo é temporário, a modernidade (…) – tal como os líquidos – caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma

Zygmunt Bauman

Esther Final

 

Esther Final-4

 

Esther Final-8

 

Esther Final-9

 

Esther Final-15

 

Esther Final-20

 

Esther Final-67

 

styling e criação: Esther Bereznjak
ph: Thiago Cerchiari
m: Daniela Kramer


Esther Bereznjak
Leia meus posts!

mojowang
Comportamento

Como evitar desperdiçar seu tempo quando na bad

17/10/2016

Eu desperdicei a maior parte do meu tempo quando eu tinha depressão. Eu encarava as paredes em vez de fazer minhas tarefas. Quando eu chegava do trabalho, deitava com a cara pro chão em vez de fazer meu jantar, colocar minhas roupas pra lavar ou ligar pra alguém que me amava. Eu assisti duas temporadas de Nashville antes de perceber o quanto eu odiava Nashville. Então, assisti a terceira temporada de Nashville. Eu estava bem fodida.

O ponto é – na dissolução da sua alma, em meio a depressão, é fácil desperdiçar seu tempo. É compreensível. Quando você se encontra na mais profunda negra depressão, seu único trabalho é sobreviver. É suficiente apenas continuar vivo, respirando. Sair da cama é quase impossível, pegar um copo de água chega a demorar 45 minutos. Você fica refletindo sobre os prós e contras de levantar-se pra fazer xixi. “Será que posso mijar nesse copo mesmo?” – você pensa. “É uma coisa que eu faria?”

Mas e depois? E quando a depressão ir embora? – e ela vai, ela vai. E agora, que você quase encontra-se curado em meio aos destroços, imaginando como construir uma vida que vale a pena ser vivida? Essa era eu ano passado. Eu superei um rompimento que parecia que ia me matar. Estava tomando meu Prozac na hora, todo dia. Eu estava colocando um final em vários hábitos ruins, que me prenderam em um estado depressivo durante dois anos. Eu estava comendo. Eu estava fazendo caminhadas.

Basicamente, eu estava só um pouco depressiva, em vez de inteiramente suicida. Um progresso, com certeza, mas seis meses após essa virada, eu continuava no mesmo lugar. Meus hábitos, antes auto-destrutivos, se metamorfosearam pra inércia. Estava com tanto medo de voltar ao Lugar Escuro, que não ousei a tomar nenhum risco pra mim, não ousei dar um passo a frente com medo de tropeçar e tudo começar a desmoronar novamente. Não escrevi, não namorei, em resumo: não Fazia nada.

E é essa a questão: a melhor coisa da vida, é Fazer. É Decidir Tentar Aplicar Pra’quele Emprego. É Finalmente Aprender a Como Tricotar. É Se Curar. É Acordar Todo Dia pra Fazer Yoga. Nós poderíamos fazer essas coisas, certo? Nós sobrevivemos o pior do pior, essas coisas deveriam ser fáceis. Então por que não estamos fazendo, nesse momento? Por que as deixamos sem fazer?

Talvez seja porque somos idiotas com corações de ouro. Talvez seja porque não estamos prontos ainda (e não tem problema nenhum nisso). Mas, talvez, seja porque simplesmente, não feitas, não podem ser comprovadas impossíveis de serem feitas. É como a promessa de um banquete ao final de um longo dia. Tanto nos faz ter fome como nos sustenta. E o terror real é que você pode ficar com fome para sempre. É uma possibilidade. Isso acontece. O que impede de isso acontecer com você?

 

 

depressed

 

 

É VOCÊ QUEM DECIDE QUE ISSO NÃO PODE ACONTECER

Você pode aceitar calmamente o fato de que, se você deseja algo, você precisa alcançar esse algo. Você vai ter que encher a própria barriga com comida. É terrificante e fácil assim. Sua vida não vai ser entregada a você pelas mãos do universo. O universo é como se fosse uma boa tia que você tem, que cheira à remédio e te tricota uma jardineira de Natal que diz “De: sua Tia Morgarete” na frente – mesmo esse não sendo o nome dela. Não é nome de ninguém, na verdade.

 

FAÇA LISTAS

Leve as coisas do jeito mais leve que puder. Seja bom consigo mesmo. Segure sua própria mão. Entenda que são coisas que precisam acontecer. São coisas que podem acontecer. Você pode fazer aquela ligação telefônica que você precisa fazer, você pode preencher os formulários que precisam ser preenchidos, você pode aprender o que precisa ser aprendido. Você pode atravessar o pânico e fazer o que precisa pra seguir em frente. Você pode fazer essas coisas, não porque o mundo iria acabar caso você não as fizesse, mas porque você é tão importante quanto qualquer outra pessoa nesse planeta, e sua vida será melhor e mais agradável caso você tente o seu melhor pra chegar aonde quer estar. E também porque Tia Morgarete também iria querer.

 

NÃO SE SINTA ENVERGONHADX

O que você tem que entender é que, por mais vergonhoso que seja estar lutando pra se tornar uma pessoa, é muito mais embaraçoso ser um cara sem compaixão e otário que olha para nós e vê fracasso. O fracasso não se parece com isso. Fracasso não é nos escavar após anos de depressão, anos de medo, anos de hábitos auto-destrutivos. Você ficará feliz eventualmente e essa parte nem importará mais.

 

ESSAS SÃO SUAS DÚVIDAS. COMA-AS TODAS. CUSPE-AS.

Mas é difícil. Sim, é difícil. Mas é mais difícil ainda não fazer nada, é mais difícil ainda sentar, impotente e com raiva da sua própria vida estagnada. Mas eu posso falhar. Você deve ter em mente que você vai sim, falhar. Vai tropeçar. Mas na verdade não há fracasso na honesta e sincera tentativa de sucesso. Mas é tarde demais. Eu desperdicei tempo demais. Garotx, cala a boca. A vida não é uma obra sem fim, ela não começa com entendimento, ela começa com dor, confusão e gritos. A vida é pra aprender, se errar e aprender novamente. Você tem indo muito bem.

 

 

FODA-SE PRA SEMPRE A IDEIA DE QUE AS COISAS NÃO ACONTECEM PARA PESSOAS COMO VOCÊ 

Elas acontecem. Elas aconteceram. Elas acontecerão de novo. Esse foi um período de Descobrir Como Por as Coisas no Lugar para você. A frustração e a incerteza têm instruído você a Como Não Viver. Mas agora é hora da graduação. É a Hora de Fazer, finalmente. Então, não carregue essa frustração com você. Isso tudo foi necessário para trazer você até aqui e agora você poder partir. Jogue isso de lado como um chapéu que você comprou online quando você estava bêbada e que agora você percebeu como ele é feio e tem arruinado sua vida e é o chapéu mais feio que você já viu na sua vida. Não tenha medo. Jogue esse chapéu fora. Deixe sua cabeça ir nua e sem nada para abafa-la pelo primeiro dia de sua vida. 

Não há outro segredo. Você tem que simplesmente avançar através do tempo presente e duvidoso para conseguir a risada perfeita no futuro. Você não acreditará em si mesmo, mas você tem que se comportar como se acreditasse. Você terá que ser contra as dúvidas dos outros, e terá que fingir que isso não afeta você. Você tem que cegamente sentir seu caminho à frente como um macaco perdido no esgoto. Acredite que você encontrará seu caminho. Acredite que cada um de nós que diz que fica mais fácil não está mentindo.

Então isso é pra você, loucx. Aqui está o que precisa ser feito. Faça do seu próprio jeito. Daqui a diante, pro resto de sua vida.


 

Lendo a Dazed digital, me deparei esse texto. Ele não é autoral, eu só traduzi (do jeito mais literal possível), mas acho serve pra abrir essa nova fase do blog, e, inclusive, a sessão de comportamento. Espero que ele possa ser de utilidade pra você, leitor, como foi pra mim. Fiquem ligados porque tem muita coisa nova por vir! Até ♥

 

texto escrito por Beth McCool pra Dazed.
arte da capa by Mojo Wang.
artgif by Sarah Wintner

 


Esther Bereznjak
Leia meus posts!

EUGENIALOLI-PRINCIPAL
Cult

As Colagens Surreais – e ácidas – de Eugenia Loli

23/04/2016

Primeiro de tudo, queria destacar que eu não acho que a colagem virtual é uma coisa reconhecida por todos. Devemos lembrar que essas imagens requerem sim um estudo de referências e técnicas pra serem feitas. E como qualquer trabalho, há um artista por traz e não merecem serem vulgarizadas por aí.

Mas anyway… eu sou meio que a louca das colagens. Eu realmente gosto muito desse tipo de artwork. Então decidi mostrar uma das minha artistas preferidas: Eugenia Loli.

loli-9

Eugenia, uma artista grega (que hoje em dia vive na Califórnia) consegue criar mundo inteiramente novos através da sua arte. As colagens dela instigam o observador com uma narrativa visual super interessante e parecem, de fato, com um frame de um filme surrealista.

uma das colagens mais clássicas dela (que eu aposto que você já viu por aí)
uma das colagens mais clássicas dela (que eu aposto que você já viu por aí)

De acordo com ela, a maior parte de seus trabalhos apresentam alguma mensagem, enquanto alguns são apenas experimentos visuais mesmo. Suas influências, além de Magritte e outros artistas específicos, vão desde o pop ao dada, e desde ilustrações modernas ao surrealismo clássico.Eugenia_Loli2

Seus trabalhos não têm nenhum estilo visual muito definido. Ela acredita que isso, hoje em dia, é morte artística. O único estilo, que na verdade é psicológico, e encontra-se recorrente em suas obras, é o sarcasmo.

 

Ficou curiosx pra ver mais sobre o trabalho da Eugenia?

Basta dar uma olhada aqui no Tumblr ou Insta dela. Ela também mantém uma lojinha que vende seus trabalhos estampados em posteres, cases, camisetas até em objetos de decoração como cortinas de banheiro e almofadas.

Thank you @kat_rod_10 for the picture of the tapestry!

Uma foto publicada por Eugenia Loli (@eugenia_loli) em

 

E aí, curtiu? ♥ Quer conhecer mais algumas colagens de outros artistas também? Vem dar uma olhada no meu painel do Pinterest.


Esther Bereznjak
Leia meus posts!

manequim
Moda

Verdades Que Ninguém Te Conta: A Faculdade de Moda

19/04/2016

O que mais tem por aí é uma visão distorcida sobre o curso. Desde aquele tio chato que acha que você vai estudar corte e costura até àquela outra que acha que “fazer moda” é algum status supremo à la Miranda Prestley.

Lembro que quando tava pra me matricular no curso, eu vivia procurando sobre no Google, em todo lugar. Mas tudo que eu achava eram informações genéricas sobre como é o curso, e blá blá blá. Sempre pensei em algumas coisas que eu gostaria de que alguém tivesse me contado antes de eu entrar. Não que eu fosse mudar de ideia, mas entrar de uma maneira menos Alice na toca do coelho, entende?

Então fiz esse post pensando nas minhas próprias dúvidas de alguns anos atrás, com as centenas de conversas reflexivas com colegas da área e dúvidas que as pessoas sempre me peguntaram. Não que cada item seja uma realidade absoluta, mas acredito que seja a da maioria. Então..

 

 

Pra começar, moda não é só estilismo

Muita gente (sim, MUITA gente!) acha que o cara que faz moda só pode ser estilista, costureiro, ou qualquer coisa do tipo. Aliás, chega a ser engraçado porque, quando eu entrei, na minha sala, a maior parte das minhas colegas não queriam (e não querem) ser criadoras.

Pra quem não sabe, a moda têm uma variedade enorme – cada vez maior – de profissões tão importantes quanto o papel do estilista, hoje em dia. Quer saber algumas delas? dá uma olhada aqui no artigo do Fashion Insight.

 

 

99% das faculdades do Brasil são focadas em DESIGN de moda 

É um item que eu já queria deixar adiantado aqui. Como eu falei, a moda não é só feita pelo estilista. Mas a realidade é que as faculdades, aqui do Brasil, (infelizmente) continuam somente focadas nessa parte. Provavelmente, na grade, tem uma ou outra matéria que aborda outras faces do ramo. Mas a verdade nua e crua é: se você decidir fazer faculdade de moda, se prepara, que o foco é a criação de roupas. 

A única faculdade que EU ouvi falar que leva moda no nome e não tem esse direcionamento, é a de Negócios de Moda, da Anhembi Morumbi. Mas aquela facul federal, o Senac, ou qualquer outra particular, que leva só o nome de “Moda”, pode apostar, é focado em criação. Ou seja, focado (QUAASE únicamente e exclusivamente) no estilismo.

Edit: Também tem a Moda e Têxtil, na Usp, que incorpora também essa parte mais focada na produção/engenharia têxtil em si.

 

Você não precisa entrar sabendo tudo

Uma dúvida (se não a mais) comum de quem quer começar o curso: preciso entrar sabendo desenhar/costurar? não sei fazer nada!

Não, você não precisa fazer curso de desenho/costura antes de entrar na faculdade. Pode ficar tranquilo(a). Provavelmente a maior parte da sala se encontra na mesma situação que você. E na maior parte das graduações que eu já ouvi falar, todas as matérias começam pelo básico. Mas treinar um ponto ou outro na costura à mão ou ir vendo uns modelos de croqui pra desenhar na internet não mata ninguém, né? 

 

 

A guerra dos egos é tão real quanto parece

Sim, sempre vai ter o coleguinha com carão metido à Miranda Prestley. Sim, sempre vai ter gente te observando de perto e doida pra te passar pra trás e louca pra tomar o seu lugar, seja onde for.

Mas relaxa: pode apostar que o karma funciona e quem é ruim, a máscara cai.

A regra pra sobreviver é: seja sempre você mesmo, ignore a gentalha e procure quem você REALMENTE possa confiar.

Ah e nunca, nunca, faça parte desse tipo esnobe. Lembre-se: do mesmo jeito que o terreno da moda tá cheio de cobras, tem gente boa também, e são essas que vão ser realmente bem sucedidas daqui pra frente (a moda não é um trabalho solitário, e sim, coletivo).

 

 

Você vai precisa ir bem além do que a faculdade te proporciona

Sabe o Herchcovitch? Ele fazia roupa todo dia!

Não é a faculdade que faz você, é você que faz a faculdade e a si mesmo. A graduação de moda só fornece o básico, de maneira bem branda. Os próprios professores deixam isso claro.

O profissional de moda que você vai ser não depende do nome da sua faculdade no seu currículo, mas quem você é e o que você faz fora dela. Seja executando tarefas extras por conta própria, pesquisando, observando as ruas, lendo, fazendo outros cursos. Seu repertório pessoal é mais importante do que você imagina.

 

 

Você não precisa ir vestido como se tivesse preparado pra um desfile todos os dias, mas mostrar seu estilo através de suas roupas é favorável

Claro, que antes de qualquer look, o que importa é o conteúdo de quem tá usando ele. Mas uma boa OOTD (outfit of the day), além de te ajudar com a sua própria auto-estima, é a sua vitrine, é a chance de transmitir um pouco de quem você é e mostrar que você entende de estilo. E, na minha opinião, isso faz muito sentido pra quem vai trabalhar com moda.

E não trata-se do valor financeiro da peça ou trezentos acessórios, mas sim da atitude que a roupa traz pra você. Uma boa t-shirt com uma estética diferente + jeans, além de ser uma combinação simples, já consegue te tirar do temível senso comum.

 

 

Arrumar um estágio/emprego bacana é mais díficil do que você pensa

Esse item não tem muito mistério. De cara você percebe como primeiro emprego bom (e principalmente, estágio maravilhoso) é algo chato de se conseguir. Infelizmente, o QI (a.k.a Quem Indica) é algo real e que afeta todo mundo. Conheci colegas que ganhavam 250 reais por mês no primeiro estágio. Ou seja, não pagava nem a gasolina que uma delas usava pra ir trabalhar. 

Dica de ouro: networking e cara de pau é tudo.

 

 

Estudar moda (quase sempre) é um investimento caro. Seja nos cursos como nos materiais. (e pode demorar pra ter retorno)

Acho que isso é uma coisa que a maioria já sabe. Estudar moda é sim, na maioria das vezes, bem pesado pro bolso. Seja investindo em cursos livres ou especializações como em materiais nosso de todo dia (tecido, materiais de desenho, materiais de costura, papel, tudo).

Minha dica é tentar driblar um pouco os custos dessas coisas mais diárias. Por exemplo: gosto de pegar livros da biblioteca, de um amigo ou comprar a versão digital dele, que sempre é bem mais barata que a física. Isso já me poupa uns 50 reais por leitura. E a regra de ouro: cortar o tecido de maneira mais consciente possível, pra não desperdiçar nenhum pedaço. Retalhos podem ser bem úteis futuramente.

Só depois de começar um curso de design é que você descobre como o papel pode sair caro todo mês kk

 

 


 

Resumindo: pra estudar moda, você tem que ter, acima de tudo, amor pela área. Por mais sorrateira ou subversiva que ela possa ser, as coisas boas compensam muito as dificuldades. É um prazer imensurável quando você acaba cada trabalho. E o melhor de tudo: lembrar que o bom profissional de moda, hoje em dia mais do que nunca, tem a possibilidade de melhorar o mundo à sua maneira.

Me contem qualquer dúvida, experiência ou crítica de vocês aqui! Quero saber de tudo! ♥

 

Edit: Quem quiser ver um pouco do meu dia a dia na faculdade, posto algumas coisas rotineiras e peculiares que acontecem por lá no meu snapchat (esthawearsprada) 


Esther Bereznjak
Leia meus posts!