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Verdades Que Ninguém Te Conta: A Faculdade de Moda

19/04/2016

O que mais tem por aí é uma visão distorcida sobre o curso. Desde aquele tio chato que acha que você vai estudar corte e costura até àquela outra que acha que “fazer moda” é algum status supremo à la Miranda Prestley.

Lembro que quando tava pra me matricular no curso, eu vivia procurando sobre no Google, em todo lugar. Mas tudo que eu achava eram informações genéricas sobre como é o curso, e blá blá blá. Sempre pensei em algumas coisas que eu gostaria de que alguém tivesse me contado antes de eu entrar. Não que eu fosse mudar de ideia, mas entrar de uma maneira menos Alice na toca do coelho, entende?

Então fiz esse post pensando nas minhas próprias dúvidas de alguns anos atrás, com as centenas de conversas reflexivas com colegas da área e dúvidas que as pessoas sempre me peguntaram. Não que cada item seja uma realidade absoluta, mas acredito que seja a da maioria. Então..

 

 

Pra começar, moda não é só estilismo

Muita gente (sim, MUITA gente!) acha que o cara que faz moda só pode ser estilista, costureiro, ou qualquer coisa do tipo. Aliás, chega a ser engraçado porque, quando eu entrei, na minha sala, a maior parte das minhas colegas não queriam (e não querem) ser criadoras.

Pra quem não sabe, a moda têm uma variedade enorme – cada vez maior – de profissões tão importantes quanto o papel do estilista, hoje em dia. Quer saber algumas delas? dá uma olhada aqui no artigo do Fashion Insight.

 

 

99% das faculdades do Brasil são focadas em DESIGN de moda 

É um item que eu já queria deixar adiantado aqui. Como eu falei, a moda não é só feita pelo estilista. Mas a realidade é que as faculdades, aqui do Brasil, (infelizmente) continuam somente focadas nessa parte. Provavelmente, na grade, tem uma ou outra matéria que aborda outras faces do ramo. Mas a verdade nua e crua é: se você decidir fazer faculdade de moda, se prepara, que o foco é a criação de roupas. 

A única faculdade que EU ouvi falar que leva moda no nome e não tem esse direcionamento, é a de Negócios de Moda, da Anhembi Morumbi. Mas aquela facul federal, o Senac, ou qualquer outra particular, que leva só o nome de “Moda”, pode apostar, é focado em criação. Ou seja, focado (QUAASE únicamente e exclusivamente) no estilismo.

Edit: Também tem a Moda e Têxtil, na Usp, que incorpora também essa parte mais focada na produção/engenharia têxtil em si.

 

Você não precisa entrar sabendo tudo

Uma dúvida (se não a mais) comum de quem quer começar o curso: preciso entrar sabendo desenhar/costurar? não sei fazer nada!

Não, você não precisa fazer curso de desenho/costura antes de entrar na faculdade. Pode ficar tranquilo(a). Provavelmente a maior parte da sala se encontra na mesma situação que você. E na maior parte das graduações que eu já ouvi falar, todas as matérias começam pelo básico. Mas treinar um ponto ou outro na costura à mão ou ir vendo uns modelos de croqui pra desenhar na internet não mata ninguém, né? 

 

 

A guerra dos egos é tão real quanto parece

Sim, sempre vai ter o coleguinha com carão metido à Miranda Prestley. Sim, sempre vai ter gente te observando de perto e doida pra te passar pra trás e louca pra tomar o seu lugar, seja onde for.

Mas relaxa: pode apostar que o karma funciona e quem é ruim, a máscara cai.

A regra pra sobreviver é: seja sempre você mesmo, ignore a gentalha e procure quem você REALMENTE possa confiar.

Ah e nunca, nunca, faça parte desse tipo esnobe. Lembre-se: do mesmo jeito que o terreno da moda tá cheio de cobras, tem gente boa também, e são essas que vão ser realmente bem sucedidas daqui pra frente (a moda não é um trabalho solitário, e sim, coletivo).

 

 

Você vai precisa ir bem além do que a faculdade te proporciona

Sabe o Herchcovitch? Ele fazia roupa todo dia!

Não é a faculdade que faz você, é você que faz a faculdade e a si mesmo. A graduação de moda só fornece o básico, de maneira bem branda. Os próprios professores deixam isso claro.

O profissional de moda que você vai ser não depende do nome da sua faculdade no seu currículo, mas quem você é e o que você faz fora dela. Seja executando tarefas extras por conta própria, pesquisando, observando as ruas, lendo, fazendo outros cursos. Seu repertório pessoal é mais importante do que você imagina.

 

 

Você não precisa ir vestido como se tivesse preparado pra um desfile todos os dias, mas mostrar seu estilo através de suas roupas é favorável

Claro, que antes de qualquer look, o que importa é o conteúdo de quem tá usando ele. Mas uma boa OOTD (outfit of the day), além de te ajudar com a sua própria auto-estima, é a sua vitrine, é a chance de transmitir um pouco de quem você é e mostrar que você entende de estilo. E, na minha opinião, isso faz muito sentido pra quem vai trabalhar com moda.

E não trata-se do valor financeiro da peça ou trezentos acessórios, mas sim da atitude que a roupa traz pra você. Uma boa t-shirt com uma estética diferente + jeans, além de ser uma combinação simples, já consegue te tirar do temível senso comum.

 

 

Arrumar um estágio/emprego bacana é mais díficil do que você pensa

Esse item não tem muito mistério. De cara você percebe como primeiro emprego bom (e principalmente, estágio maravilhoso) é algo chato de se conseguir. Infelizmente, o QI (a.k.a Quem Indica) é algo real e que afeta todo mundo. Conheci colegas que ganhavam 250 reais por mês no primeiro estágio. Ou seja, não pagava nem a gasolina que uma delas usava pra ir trabalhar. 

Dica de ouro: networking e cara de pau é tudo.

 

 

Estudar moda (quase sempre) é um investimento caro. Seja nos cursos como nos materiais. (e pode demorar pra ter retorno)

Acho que isso é uma coisa que a maioria já sabe. Estudar moda é sim, na maioria das vezes, bem pesado pro bolso. Seja investindo em cursos livres ou especializações como em materiais nosso de todo dia (tecido, materiais de desenho, materiais de costura, papel, tudo).

Minha dica é tentar driblar um pouco os custos dessas coisas mais diárias. Por exemplo: gosto de pegar livros da biblioteca, de um amigo ou comprar a versão digital dele, que sempre é bem mais barata que a física. Isso já me poupa uns 50 reais por leitura. E a regra de ouro: cortar o tecido de maneira mais consciente possível, pra não desperdiçar nenhum pedaço. Retalhos podem ser bem úteis futuramente.

Só depois de começar um curso de design é que você descobre como o papel pode sair caro todo mês kk

 

 


 

Resumindo: pra estudar moda, você tem que ter, acima de tudo, amor pela área. Por mais sorrateira ou subversiva que ela possa ser, as coisas boas compensam muito as dificuldades. É um prazer imensurável quando você acaba cada trabalho. E o melhor de tudo: lembrar que o bom profissional de moda, hoje em dia mais do que nunca, tem a possibilidade de melhorar o mundo à sua maneira.

Me contem qualquer dúvida, experiência ou crítica de vocês aqui! Quero saber de tudo! ♥

 

Edit: Quem quiser ver um pouco do meu dia a dia na faculdade, posto algumas coisas rotineiras e peculiares que acontecem por lá no meu snapchat (esthawearsprada) 


Esther Bereznjak
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Moda

#MONDAYSPIRATION: Razu Mikhina

28/03/2016

Pra começar a semana de um jeito inspirador, decidi trazer um trabalho super cultural (e super legal) da designer russa Daria Razumikhina.

Nascida em 65, em Moscou, abandonou a carreira de jornalista pra ir estudar moda (com especialização em estamparia) na Central St. Martins, em Londres. Criou sua marca em 1998, a Razu Mikhina (seu sobrenome dividido em dois) e desde então participa da fashion week de Moscou.

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Sua marca, que vende tanto peças prontas femininas como apenas o tecido, tem um estilo colorido, urbano, eclético e com influências orientais misturadas com ornamentos de vestes tradicionais russas.

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Mas o luxo (e o fato mais inspirador!) mesmo é de que as peças são totalmente feitas as mãos (no norte de Vologda), desde a renda até os laços, bordados, etc, e são realmente confeccionados, originalmente, para vestes da cultura tradicional Russa.

Ou seja, desde o tecido até seus ornamentos, são fabricados na Rússia, de forma tradicional.
Ou seja, desde o tecido até seus ornamentos, são fabricados na Rússia, de forma tradicional.

Na minha sincera opinião, em mundo onde o fast fashion predomina – com maneiras NADA éticas de produção, onde o barateio das peças vale mais que a vida do costureiro (recomendo pra todos: THE TRUE COST – disponível no Netflix!) , marcas assim, de real slow fashion -peças feitas com todo um cuidado, tanto ético como estético, com valorização do trabalho manual- , além de inspiradoras, é o verdadeiro e mais puro luxo da moda.

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E pra quem ficou curioso, a média de preço é, dos vestidos, por exemplo, +- de 550 dólares (~16500 rubros) a peça. E você encontra todos os produtos aqui.

Mas e aí? Curtiu? Bora se inspirar e levar isso com a gente nessa semana que vem aí! ♥


Esther Bereznjak
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ESTILOAVANchamada
Lifestyle

Estilo Avançado

29/02/2016

Esse é um post que vale reflexão. Sempre achei sensacional algumas grandes marcas levarem idosas com atitude pra serem os rostos de suas campanhas (tipo a Joan Didion na campanha da Céline). Mas eu não conhecia o blog incrível do fotógrafo Ari Seth Cohen e todo esse movimento que ele conseguiu iniciar com o seu trabalho.

Eu descobri e me apaixonei depois de ver o documentário Advanced Style, disponível no Netflix. O longa retrata a vida de 7 idosas novaiorquinas e como elas conseguem levar o envelhecimento não como parte central da vida delas, mas como algo que incrementa mais ainda seu estilo e atitude (de ser feliz do jeito que é).

O documentário me trouxe várias reflexões, entre elas: quando eu ficar velha, meu estilo têm de tornar-se clássico? Aquela senhorinha com um cardigan e saia de pano comprida? Olha, pode parecer muito fútil essas questões pra alguns. Mas o ponto é: quando eu me visto, eu reflito o que se passa pelo meu interior. Por exemplo, se você me ver com um jeans azul e um moletom da GAP, com certeza é porque eu tô beem passada (alô, final de semestre!). E aí chega a questão de envelhecer, que por si só, já é bem complicada. Como eu vou me sentir em roupas que não me definem? É um fato que vou me sentir deixada de lado, interiormente também.

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É incrível como elas conseguem usar suas roupas super elaboradas pra representar o espírito tão jovem dentro delas. Sem se restringir à opinião alheia, considerando o que realmente importa na hora de se vestir: a sua personalidade e a aceitação de quem você é.

Se depender de mim, eu quoto o documentário inteiro. É incrível como elas usam a questão do estilo com uma sabedoria incrível. É uma seriedade que me fez sentir envergonhada em falar que eu estudo qualquer coisa sobre styling. Passar algumas horas conversando com essas senhoras valeriam por mil horas de aula de qualquer curso. Com certeza, foi uma inspiração tanto pessoal quanto profissional pra mim.

“Eu sou realmente uma artista, e minha arte é se vestir.”

Queria também ressaltar que a fotografia do filme é incrível e sabe retratar muito bem o estilo único de cada uma!

“I don’t want to look young, I want to look great!” Joyce, 79 anos

Enfim, faça o favor a si mesmo e veja esse documentário! Segue o trailer dele:

E, agora, pra mim, fica o próximo da lista: o documentário focado na super Iris Apfel.

Quero aproveitar e pedir desculpas pelos atrasos no post. Infelizmente faz um tempinho que eu tava com alguns problemas na rede, mas agora já tá tudo certo ♥

Esther Bereznjak
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Harajuku-Decora-Fashion-Walk-15-060
Moda

#Mondayspiration: O estilo Harajuku

22/02/2016

Primeiro de tudo, queria pedir desculpa pela instabilidade na frequência dos posts! Com a voltas das aulas sempre rola aquela confusão sabe? Mas promeeeeeto que não vai acontecer mais kkk

Decidi começar a segunda feira de uma maneira da gente se inspirar. Eu acho que tem tanto estilos legais por aí, diferentões e únicos à sua maneira. Claro, cada pessoa, inclusive, tem seu próprio. Tem gente mais romântica, a moça mais casual, aquela suuper contemporânea.. Mas isso não impede em dar uma olhadinha em outros estilos e até mesmo puxar alguma coisinha deles pra compor nosso próprio!

Então, explicado isso, começo aqui com uns dos estilos mais divertidos: o do pessoal do distrito de Harajuku! O estilo desses jovens que frequentam lá é extremamente peculiar e extremamente criativo. Dificilmente (ou melhor, impossível) ver alguém com o mesmo look lá! Possui influência de todas as tribos ocidentais imagináveis, desde punk até rockabilly (só que adaptados à cultura japonesa!). E isso pra não contar todas as tribos diferentes que existem no Japão. Pra ilustrar um pouco melhor, vou aproveitar e falar de algumas principais aqui.

 

DECORA

A palavra “Decora” vem da palavra ‘decoration’, o que faz um super sentido, já que a regra desse estilo é: mais é mais. Camadas de roupas, presilhas coloridas, presilhas da Hello Kitty, mais camadas de roupas, bolsinha(s) fofa(s), camada de acessórios, camada de roupas, mais presilhas e mais 200 camadas de acessórios. E tudo isso bem colorido, e um jeitinho ‘kawaii(“fofo” em japonês) infantilizado mesmo!

 

LOLITA

Um vestido lindo, sapato de boneca e um grande laço – ou outro acessório fofo – na cabeça. Tem alguém que não fica encantado vendo essas meninas que parecem bonecas?! Baseado na era Rococó e na era Vitoriana way of dressing. Esse estilo é um dos mais vistos por aí quando a gente vê algo sobre ‘moda alternativa japonesa’. É bem famoso fora do Japão, também.

E dentro do estilo ‘Lolita’, ainda tem várias subdivisões (ex: Classic Lolita, Gothic Lolita, Sweet Lolita….)

 

VISUAL KEI

Baseado em uma estética andrógina, vem da influência da estética de músicos de bandas de J-Rock. Trajes elaborados, maquiagem bem marcante, cabelos coloridos com penteados bem exagerados, lentes, sobreposição de trajes… Cheio de subdivisões, remete aos mais variados estilos: desde ao punk/gótico até uma pegada mais vitoriana.

 

MORI GIRL

Mori significa ‘floresta‘ em japonês. Então, acho que já dá pra ter uma ideia do que significa. Tecidos naturais tipo o algodão, tons terrosos que remetem à natureza, vestidinhos florais, sobreposições de peças, tudo com cara de feito à mão e bem confortável. Essa é a tal da “garota da floresta”.

 

NA RUA: TUDO JUNTO&MISTURADO

Acho que deu pra ter uma ideia de como esses estilos underground japoneses são muuuito diversificados. Tem uma infinidade deles, subdivisões, híbridos, enfim, vai muito além desses 4 exemplos rápidos. O ponto é: imagina uma região em que tem tuuuudo isso (+ estilos baseados no ocidente). Isso é Harajuku! Não é à toa que o streetstyle de lá vira e mexe serve de inspiração pra diversos criadores e estudos de tendências.

Aproveitei a pesquisa e fiz um top 5 de alguns looks que encontrei por aí:

HARAJUKU22 cópia

 

Gostou? Ficou curioso pra saber mais sobre essa cultura? Tem alguns sites bem legais por aí, tipo o HarajukuBR e TokyoFashion. Também criei um painel no Pinterest com alguns looks bem legais, vem dar uma olhada e me conta o que você achou. ♥


Esther Bereznjak
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